O cinema pode ser uma forma de atravessar fronteiras sem sair do lugar. Entre 7 e 14 de outubro, São Paulo recebe a 11ª Mostra de Cinema Chinês, organizada pelo Instituto Confúcio na Unesp, com dez produções que percorrem diferentes momentos, regiões e experiências da sociedade chinesa. A programação é gratuita e acontece no Centro Cultural São Paulo (CCSP), na Liberdade.
Com o tema “Ponte de Luzes e Sombras” (光影渡岸), a edição deste ano parte de histórias sobre memória, deslocamento, relações familiares, conflitos e transformações. A proposta dá continuidade ao trabalho da mostra, que ao longo de dez edições construiu um espaço de intercâmbio cultural entre Brasil e China por meio do cinema.
A seleção reúne filmes de gêneros e formatos distintos. Entre eles estão dramas familiares, animação, narrativas históricas e adaptações literárias. Juntos, os dez títulos apresentam diferentes maneiras de olhar para a experiência chinesa, passando por histórias ambientadas em períodos históricos específicos e por questões presentes na vida contemporânea.
Em “Jantar para Seis”, duas famílias monoparentais de Yunnan se encontram semanalmente para jantar a partir de 1992. A história acompanha, ao longo de mais de uma década, as relações entre pais e filhos e as mudanças vividas pelas famílias em um período de transformações na China.
As relações familiares também estão no centro de “Está Tudo Bem”, que acompanha uma professora confrontada pela necessidade de realizar uma cirurgia e pela chegada inesperada da mãe. A convivência entre as duas faz emergir conflitos relacionados à autonomia, às expectativas familiares e às dificuldades de comunicação entre diferentes gerações.

A mostra também percorre histórias de outras épocas. “Três Reinos: O Início” retorna ao ano de 189 d.C., durante os últimos anos da Dinastia Han, e acompanha a turbulência política que toma conta de Luoyang. Já “A Estrada das Lichias” se passa durante a Dinastia Tang e acompanha um funcionário encarregado de transportar frutas frescas por milhares de quilômetros até a capital, em uma missão marcada por dificuldades e intrigas.
A memória e a infância aparecem em “Qingtong e Kuihua”, ambientado nas cidades ribeirinhas do norte de Jiangsu durante os anos 1970. O filme acompanha duas crianças que estabelecem uma relação de proteção mútua diante de perdas, dificuldades econômicas e desastres naturais. Em “Lago Verde”, por outro lado, a narrativa parte da tentativa de um homem aposentado de reconstruir sua vida afetiva depois da morte da esposa e de sua relação distante com as três filhas.
A seleção também abre espaço para a animação. “A Chama Roubada” é inspirada em um antigo mito do povo Qiang e acompanha um jovem que parte em busca do fogo para salvar seu povo do frio. Segundo o Instituto Confúcio na Unesp, o filme é o primeiro longa de animação da China pintado sobre papel de arroz.
Já “O Peso de Sonhar” acompanha Li Mingqi, um homem que mantém o sonho de voar apesar das dificuldades da vida cotidiana, enquanto “Wonton de Xangai” parte de um ritual familiar entre pai e filho para construir uma história sobre vínculos, expectativas e novos relacionamentos.

O filme “Enquanto Há Vida” apresenta uma narrativa mais dramática. Depois de uma tentativa de suicídio, um jovem começa a trabalhar como cuidador em uma enfermaria de câncer para pagar suas dívidas. O contato com pacientes que enfrentam doenças graves o leva a reconsiderar sua própria relação com a vida.
Mais do que apresentar uma seleção de filmes chineses ao público brasileiro, a mostra cria uma oportunidade para observar diferentes experiências sociais e culturais por meio das histórias contadas pelo cinema. As produções percorrem relações familiares, memória, dificuldades econômicas, mudanças sociais e acontecimentos históricos, evitando uma visão única sobre a China.
A iniciativa também se insere em uma trajetória mais ampla de intercâmbio cultural. Realizada pelo Instituto Confúcio na Unesp, a Mostra de Cinema Chinês é promovida desde 2015 em parceria com instituições culturais de São Paulo e tem utilizado o cinema como uma das formas de aproximar públicos brasileiros da produção cultural chinesa.
Nesta 11ª edição, a ideia de uma “Ponte de Luzes e Sombras” aparece justamente nessa diversidade de perspectivas: histórias individuais e coletivas, passado e presente, momentos de leveza e situações de conflito. Ao reunir essas narrativas em uma mesma programação, a mostra convida o público a conhecer diferentes aspectos da China a partir do olhar de seus próprios realizadores.
SERVIÇO
11ª Mostra de Cinema Chinês de São Paulo
Data: 7 a 14 de outubro de 2026
Local: Centro Cultural São Paulo — Rua Vergueiro, 1000, Liberdade, São Paulo (SP)
Tema: “Ponte de Luzes e Sombras” (光影渡岸)
Entrada: gratuita
Ingressos: retirada no local, 1 hora antes de cada sessão
Programação: dez produções chinesas, entre dramas, animação e adaptações literárias
Realização: Instituto Confúcio na UnespCinema chinês atravessa memórias e transformações na 11ª Mostra de São Paulo
