Dois grandes rios servem de ponto de partida para um encontro entre músicas, paisagens e memórias de China e Brasil. A partir desta segunda-feira (28), o projeto “Do Yangtzé ao Amazonas” começa sua etapa brasileira no Rio de Janeiro e passa ainda por Brasília, Belém e São Paulo. A turnê reúne a soprano brasileira Marília Vargas, o violonista Fábio Zanon e, no Brasil, a participação especial da soprano chinesa Yu Xi. Em São Paulo, o encerramento contará também com o conjunto de música tradicional chinesa Gao Shan Liu Shui.
A escolha dos rios não funciona apenas como referência geográfica. O Yangtzé e o Amazonas aparecem no projeto como imagens capazes de evocar paisagens, histórias e relações afetivas associadas aos dois países. No programa, essa ideia ganha forma por meio de canções chinesas relacionadas ao Yangtzé e de obras brasileiras que percorrem o imaginário amazônico, criando um repertório em que as referências de cada país não são apresentadas isoladamente, mas colocadas em sequência dentro de uma mesma experiência musical.
Do lado brasileiro, estão presentes compositores como Heitor Villa-Lobos, Waldemar Henrique, Francisco Mignone, Marco Pereira e Chiquinha Gonzaga. O programa inclui trechos de Floresta do Amazonas, Bachianas Brasileiras nº 5 e Lendas Amazônicas, além de obras para violão solo. Entre as músicas chinesas aparecem “Eu Vivo à Fonte do Yangtzé”, de Qing Zhu, “Naquele Lugar Distante”, de Wang Luobin, “Minha Pátria”, de Liu Chi, a tradicional “Molihua” e “Eu Te Amo, China”, de Zheng Qiufeng.
A aproximação também acontece na formação dos artistas. Marília Vargas e Fábio Zanon realizaram a primeira etapa do projeto na China entre 23 de abril e 2 de maio, com apresentações em Xangai, Hangzhou, Pequim e Chongqing. Na etapa brasileira, a soprano Yu Xi se junta aos dois artistas para levar o programa a diferentes regiões do país. Em São Paulo, o Gao Shan Liu Shui amplia a formação com instrumentos da música tradicional chinesa.
As apresentações ainda incorporam uma dimensão visual ao concerto. Projeções audiovisuais evocam rios, florestas e o encontro das águas, criando uma paisagem que acompanha o repertório. A água e a lua aparecem como elementos recorrentes dessa construção visual e simbólica, conectando as imagens do Yangtzé às referências amazônicas presentes nas obras brasileiras.
O projeto integra a programação do Ano Cultural Brasil-China 2026 e leva ao palco uma proposta de intercâmbio construída nos dois países. A primeira etapa aconteceu na China, enquanto a segunda percorre diferentes regiões brasileiras, levando o repertório a públicos do Rio de Janeiro, Brasília, Belém e São Paulo.
No palco, essa proposta aparece de maneira concreta: uma canção chinesa sobre o Yangtzé pode ser seguida por uma obra brasileira ligada à Amazônia, enquanto diferentes instrumentos e tradições compartilham a mesma apresentação. Mais do que reunir repertórios de duas origens, “Do Yangtzé ao Amazonas” constrói uma narrativa em que rios, paisagens e afetos funcionam como pontos de contato entre experiências culturais distintas.
SERVIÇO
Do Yangtzé ao Amazonas — um encontro musical entre China e Brasil
Rio de Janeiro
28 de setembro, às 19h
Sala Cecília Meireles — Rua da Lapa, 47, Lapa
Entrada gratuita.
Brasília
29 de setembro, às 20h
Teatro do CCBB Brasília — SCES, Trecho 2, Plano Piloto
Entrada gratuita. Os ingressos são disponibilizados um dia antes da apresentação ou na bilheteria, conforme disponibilidade.
Belém
1º de outubro, às 20h
Theatro da Paz — Praça da República, Centro
Entrada gratuita. Os ingressos podem ser retirados pelo site ou na bilheteria, conforme as regras divulgadas para a apresentação.
São Paulo
3 de outubro, às 20h
Cultura Artística — Grande Auditório, Rua Nestor Pestana, 196
A apresentação encerra a turnê brasileira e terá participação de Marília Vargas, Fábio Zanon, Yu Xi e Gao Shan Liu Shui. A entrada é gratuita, segundo a divulgação do projeto.
