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Por Ana Clara Costa

Com mais de 4.500 startups de tecnologia, 510 investidores e 220 incubadoras e aceleradoras, Singapura reúne um ecossistema de inovação que atrai empresas interessadas em crescer e buscar parceiros na Ásia. Foi nesse cenário que, em outubro, aconteceu o Brazil Demo Day 2026, encontro em que startups brasileiras apresentaram seus projetos a investidores, empresas e integrantes do ecossistema local, antes da Singapore Week of Innovation and Technology, a SWITCH.

Em 2025, empresas sediadas em Singapura captaram S$ 5,9 bilhões em 472 operações de venture capital. O país tem cerca de 745 km² e população de 6,2 milhões de habitantes. Essas dimensões ajudam a contextualizar a concentração de empresas e investimentos, mas não significam que esse capital esteja automaticamente disponível para empresas estrangeiras.

Singapura também funciona como ponto de articulação regional. O país reúne sedes de empresas globais, fundos e organizações com atuação em diferentes mercados asiáticos. Essa presença pode aproximar startups estrangeiras de clientes e oportunidades de expansão, desde que considerem as especificidades de cada mercado.

Da esquerda para a direita, Cristiano Guimarães (CSO e diretor científico), Stephani Saverio (CEO, entrevistado para a matéria) e Miller Freitas (CDO e diretor de desenvolvimento) são os fundadores da Nintx (Next Innovative Therapeutics), biotech brasileira dedicada à descoberta e ao desenvolvimento de medicamentos a partir da biodiversidade.

A biotecnologia mostra como esse interesse pode estar ligado a oportunidades específicas. Singapura concentra centros de pesquisa, empresas farmacêuticas e produção biofarmacêutica. A Nintx combina biodiversidade, inteligência artificial e ciência do microbioma na descoberta de medicamentos. Seu fundador e CEO, Stephani Saveiro, afirma que a empresa vê uma complementaridade entre a pesquisa brasileira e a experiência asiática na área.

“Vemos uma complementaridade muito interessante entre a biodiversidade brasileira, nossa capacidade de descoberta de novos medicamentos utilizando inteligência artificial e microbioma, e a tradição asiática em produtos naturais, pesquisa científica e desenvolvimento farmacêutico”, diz Saveiro. A Nintx relata que apresentou seu trabalho a investidores, farmacêuticas e instituições e iniciou conversas sobre investimentos, licenciamento e possíveis colaborações em pesquisa.

Os sócios Renan Nominato (CEO) e Lucas Xavier (CTO) no Pavilhão Brasil durante a SWITCH 2026, consolidando a presença da Digital Grid na principal vitrine tecnológica da Ásia.(Acervo Digital Grid / Divulgação)

A Digital Grid, que desenvolve tecnologia para gestão de créditos de energia em geração distribuída e usinas solares comunitárias, representa outra frente: a energia sustentável. Seu CEO, Renan Nominato, vê na transição energética regional um campo de oportunidades para soluções do setor. “O Sudeste Asiático vive uma aceleração vigorosa na transição energética, com forte demanda por descarbonização, implementação de microrredes e abertura de mercados de eletricidade”, afirma.

Nominato também chama atenção para as particularidades das relações comerciais na região: “No B2B asiático, a construção de relações comerciais é pautada por uma governança rigorosa e estabelecimento prévio de confiança institucional.” Seu depoimento aponta para a importância de compreender as práticas e expectativas do mercado local.

A Ásia não é um destino único, nem um bloco homogêneo. Conhecer por que empresas brasileiras vão até lá e o que encontram ajuda a ampliar o mapa de possibilidades e a tornar a região mais próxima e familiar ao público brasileiro.

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