Em um mundo cada vez mais fragmentado, as empresas multinacionais podem atuar como uma força econômica estabilizadora entre diferentes mercados.
Ao expandirem sua presença global, as multinacionais podem compartilhar inovações tecnológicas e desenvolver capacidade industrial local, integrando mercados emergentes à economia global.
Escalar ideias promissoras para gerar impacto em toda a economia global é um dos principais focos da Reunião Anual dos Novos Campeões do Fórum Econômico Mundial, também conhecida como “Davos de Verão”, realizada na China entre 23 e 25 de junho de 2026.
O mundo atravessa um período de profunda transição econômica. Nos últimos anos, mudanças geopolíticas e econômicas colocaram à prova cadeias de suprimentos que, até pouco tempo atrás, pareciam consolidadas.
Para as empresas que atuam em diversos mercados, isso significa operar em um ambiente muito mais complexo e imprevisível. Também contribuiu para que o Fundo Monetário Internacional projetasse um crescimento econômico global de apenas 3,1% em 2026, abaixo da média histórica de 3,7%. A Organização Mundial do Comércio projeta que o crescimento do comércio de bens cairá para 1,9% em 2026, o menor nível em uma década.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial (IA) está remodelando os mercados de trabalho e criando novos desafios relacionados à distribuição das capacidades tecnológicas e das oportunidades econômicas. Paralelamente, a crise climática intensifica as pressões sobre a economia.
“O papel das multinacionais no crescimento econômico”
Em uma economia global fragmentada, as empresas multinacionais ajudam a superar barreiras operacionais para manter a conectividade internacional. Empresas inovam continuamente para utilizar melhor seus recursos, enquanto direcionam capital, tecnologia e talentos para mercados capazes de acelerar esse desenvolvimento.
Esse investimento transfronteiriço financia diretamente o crescimento, proporcionando capital, empregos e arrecadação tributária aos países anfitriões. Mais do que investir, empresas multinacionais ajudam a levar inovação para novos mercados, garantindo que o progresso tecnológico beneficie uma parcela mais ampla da população.
Em última análise, operações transnacionais estabelecem relações comerciais estáveis e pragmáticas, capazes de resistir a períodos de instabilidade política.
“Como as multinacionais podem ampliar a inovação”
Hoje, criar uma nova tecnologia já não é suficiente. O verdadeiro desafio está em torná-la acessível e relevante para milhões de pessoas. É isso que transforma inovação em crescimento.
No entanto, os rápidos avanços em inteligência artificial, novas fontes de energia, biotecnologia e computação quântica exigem ampla implementação para gerar valor. Para que isso aconteça, quatro capacidades fazem toda a diferença:
- A Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) sistemática deve produzir continuamente avanços tecnológicos funcionais;
- A capacidade de transformar uma boa ideia em um produto escalável, ou seja, os sistemas e ferramentas que convertem uma ideia em um produto escalável, devem transformar tecnologias de laboratório em produtos prontos para o mercado;
- A produção em larga escala precisa garantir eficiência e qualidade;
- Redes globais de distribuição devem levar esses produtos aos mercados internacionais com preços acessíveis.
Na América Latina, vemos esse movimento com clareza. Empresas como a Nestlé já localizaram parte importante de suas operações produtivas. Ao construir cadeias de suprimentos regionais paralelas, conseguem ampliar inovações operacionais para superar limitações de infraestrutura e entregar produtos de forma mais eficiente.