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Ásia em cena no audiovisual brasileiro

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O audiovisual asiático chega ao RioMarket 2026 não apenas pelas telas, mas também pelas discussões sobre como filmes e séries são produzidos, financiados e distribuídos. De 1º a 10 de outubro, a área de negócios do Festival do Rio reúne, no Armazém da Utopia, uma programação com representantes da China, Índia e Coreia do Sul, que participam de seminários e encontros voltados às estruturas de seus mercados e às possibilidades de parceria com profissionais brasileiros.

A Coreia do Sul ganha um bloco de programação no dia 2 de outubro. Entre as atividades estão discussões sobre a estrutura do mercado audiovisual sul-coreano, financiamento e produção, além de uma apresentação sobre instituições como a KOFIC e a Korean Creative Content Agency (KOCCA). O programa também prevê um encontro entre produtores brasileiros e sul-coreanos e uma conversa sobre as relações entre audiovisual e indústria fonográfica a partir do K-pop. Participam nomes como Andy Yoon, produtor da MoonWatcher; Eun-young (Ellie) Oh, CEO e produtora da EO Content Group; David Woong-jin Park, diretor da KOCCA; e Serena Park, CEO da Hanmaum S. Produções e Distribuição.

A programação coreana também chega à tela. O RioMarket incluiu em sua edição de 2026 uma mostra inédita de cinema sul-coreano, com a exibição de The Ghost Game, dirigido por Son Dong-wan e produzido pela EO Content. O filme integra uma programação que apresenta o cinema coreano ao lado de debates sobre sua indústria, aproximando a dimensão cultural da discussão profissional.

Garota Sem Nome (A Girl Unknown), dirigido por Zou Jing. A produção chinesa integra a programação do Festival do Rio 2026.

A China aparece em uma frente ainda mais ampla. Entre os destaques está HO-HO: O Som do Brasil, apresentado pelo RioMarket como a primeira coprodução de animação entre Brasil e China. Após a exibição, o encontro reúne João Amorim, representantes do BNDES e da RM Studio para discutir a realização do projeto e os caminhos da coprodução internacional.

O país asiático também está presente em debates sobre tecnologia, acesso ao mercado e mecanismos de financiamento. No dia 6 de outubro, Spike Liu, presidente da China Year Technology Co., Ltd., apresenta experiências relacionadas ao uso da inteligência artificial na produção de conteúdo. Já no dia 8, Marta Cámara conduz uma sessão sobre entrada no mercado chinês, marcos regulatórios e estratégias de coprodução. Em seguida, uma mesa reúne discussões sobre incentivos, fundos e mecanismos de coprodução na chamada Grande China, incluindo a perspectiva de Macau.

O programa chinês inclui ainda exibições voltadas a públicos interessados em diferentes aspectos do país. Golfinho Branco Chinês acompanha o percurso de uma espécie afetada pela construção da Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau; Sabores da China apresenta tradições gastronômicas de Zhejiang e Fujian; e Rumo ao Futuro percorre quatro grandes agrupamentos urbanos chineses e aborda desenvolvimento, infraestrutura, tecnologia e inteligência artificial.

A Índia, por sua vez, concentra sua participação em 7 de outubro, com três discussões dedicadas ao funcionamento e às transformações do mercado audiovisual do país. A programação prevê uma apresentação sobre o mercado indiano, uma conversa sobre oportunidades na indústria e outra sobre novas mídias emergentes. Entre os convidados estão o produtor e diretor Girish Hansraj Malik, da Clapstem Productions, e Arfi Laamba, CEO e fundador da Bombay Berlin Film Productions.

A Noiva Difícil (The Difficult Bride), filme dirigido por Rubaiyat Hossain e ambientado em Daca, em Bangladesh. A produção integra a programação do Festival do Rio 2026.

A presença asiática também atravessa uma das áreas mais diretamente ligadas aos negócios: as Rodadas de Negócios, realizadas de 5 a 9 de outubro. Segundo o Festival do Rio, representantes de mercados da China, Índia e Coreia do Sul estarão entre os compradores e demais profissionais internacionais que participarão das reuniões com agentes brasileiros. Os encontros são individuais, têm duração de até 20 minutos e seguem regras próprias de inscrição, diferentes das demais atividades do RioMarket.

Outro ponto de contato com a Ásia aparece na discussão sobre os microdramas, formato de séries verticais que ganhou espaço em plataformas digitais. Em 5 de outubro, o RioMarket promove o painel A Revolução Vertical: Narrativas, Modelos de Negócio e Estratégias Globais de Streaming na Era dos Microdramas, com participação de Davi Xiang Li, brasileiro de ascendência chinesa e sócio-fundador da Baiju Productions. Segundo o perfil oficial do evento, a empresa já participou da produção de mais de 40 séries verticais.

A diversidade das atividades faz com que a presença asiática no RioMarket não se limite à exibição de obras ou à divulgação de tendências culturais. China, Índia e Coreia do Sul aparecem como mercados com estruturas próprias de produção, financiamento, tecnologia e circulação de conteúdo, discutidas diretamente em um espaço dedicado à indústria audiovisual. Para produtores brasileiros, a programação coloca em pauta não apenas o que esses países produzem, mas também como seus mercados funcionam e em que pontos podem surgir projetos conjuntos.

Ao longo de suas 26 edições, o RioMarket afirma ter realizado mais de 11 mil rodadas de negócios e mais de 4,2 mil seminários e workshops. Na edição de 2026, a participação de diferentes mercados asiáticos ocupa parte significativa dessa estrutura, combinando formação, exibição e encontros profissionais.

SERVIÇO

RioMarket 2026
Data: 1º a 10 de outubro de 2026
Local: Armazém da Utopia — Av. Rodrigues Alves, s/n, Armazém 6, Cais do Porto, Santo Cristo, Rio de Janeiro (RJ)

Destaques asiáticos:
2/10: programação dedicada ao mercado audiovisual da Coreia do Sul, incluindo debates sobre mercado, coprodução, K-pop e exibição de cinema coreano.
3 e 4/10: exibições de produções chinesas e debate sobre tecnologia e audiovisual.
5/10: HO-HO: O Som do Brasil e painel sobre microdramas.
6/10: discussão sobre uso industrial de inteligência artificial na produção de conteúdo na China.
7/10: programação dedicada ao mercado audiovisual indiano e às novas mídias.
8/10: debates sobre mercado, legislação, financiamento e coprodução na China e na Grande China.

Rodadas de Negócios: 5 a 9 de outubro, das 10h às 18h30, em formato híbrido, com participação de representantes de China, Índia e Coreia do Sul.

Participação: as modalidades de acesso variam conforme a atividade; seminários e outras ações estão sujeitos à lotação, enquanto as Rodadas de Negócios seguem regras específicas.

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