Relações interculturais com qualidade e profundidade

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CONTATO

A década atual vem apresentando uma série de desafios na implementação de medidas eficazes para conter o avanço do aquecimento global. Desde a década de 1990, inúmeros fóruns climáticos internacionais têm discutido maneiras de firmar metas e comprometimentos para que cada país possa contribuir na diminuição da poluição atmosférica.

Nos últimos anos, a China introduziu o conceito “Civilização Ecológica” em seu sistema político. Esse conceito abarca uma série de reformas estruturais e incentivos que visam construir um elo harmônico entre o homem e a natureza.

Em uma década, a China conseguiu reverter os altos índices de poluição para se tornar o líder global em investimentos sustentáveis e na exportação de tecnologias sustentáveis. Esse projeto trouxe mudanças profundas na forma como lidar com os desafios climáticos e ao mesmo tempo garantir o desenvolvimento econômico do país.

 A coordenação promovida por essa política pode trazer reflexões a respeito do impacto desse novo modelo de política ambiental. A medida em que a influência global da China aumenta neste setor, surgem novas possibilidades para o setor empresarial dos países do sul global aliarem essas políticas com suas necessidades econômicas.

Durante as discussões nos painéis climáticos internacionais, surgiram vários embates entre os países do centro do capitalismo e do sul global. A principal delas é a responsabilidade que os países do centro capitalista atribuem aos países em desenvolvimento pela atual crise climática. Na visão dos países do sul global, essas acusações são vistas como mais uma tentativa dos países ricos “chutarem a escada” dos países desenvolvidos, impedindo-os de desenvolverem condições materiais para superar sua defasagem econômica em relação aos países desenvolvidos.

Essa expressão foi cunhada pelo economista coreano Ha Joon Chang para descrever o processo liderado pelos países desenvolvidos para impedir que outros países alcancem o seu nível de desenvolvimento. Dentro dos exemplos históricos abordados pelo autor, ele cita o papel de instituições como FMI e Banco Mundial para coagir os países em desenvolvimento a aderirem a um programa de privatizações e reduções de investimento público.

O país do sul global que tem sido alvo constante é a China. As reformas econômicas feitas no final da década de 1970, deram um grande impulso na economia que fez o nível de produtividade crescer dois dígitos durante as décadas de 1990 e 2000. Apesar do crescimento positivo, essa crescente demanda acabou consumindo excessivamente os recursos naturais. Essa dinâmica acabou ocasionando fortes desequilíbrios naturais.

A principal fonte energética da China é o carvão. A abundância de carvão deu condições ao país de garantir o abastecimento das residências e produzir energia para sustentar a produção nas fábricas. O alto consumo dessa matéria prima causou uma emissão acima da média de gás carbônico na atmosfera e essa situação trouxe problemas crônicos de saúde nas cidades próximas dos polos de carbono e contaminações nos rios.

Mesmo com os altos indicadores neste recorte temporal, não se compara ao porcentual agregado de emissões dos países desenvolvidos. Grande parte dos efeitos climáticos que estamos vivenciando tem fruto do período de grande expansão industrial que o Estados Unidos e a Europa tiveram no final do século XIX e começo do século XX. Enquanto os países do sul global buscam esforços para se desenvolver, o centro do capitalismo exige uma pauta ecológica para restringir sua expansão, mas ao mesmo tempo não apresenta alternativas para gerar desenvolvimento sem causar danos ao meio ambiente.

Diante deste cenário, esses mesmos países do centro do capitalismo tentam diminuir os esforços chineses de promover a recuperação ecológica de seu território. Nos últimos anos, a China tem promovido o desenvolvimento de tecnologias limpas e sustentáveis com o intuito de diminuir a dependência do carvão da sua matriz energética. Outro aspecto positivo dessas políticas são as transformações que as cidades estão sofrendo para se adaptar a essa nova realidade. As mudanças mais visíveis é o aumento de espaços verdes nas cidades e a substituição da malha de transporte movida por combustíveis fósseis para veículos elétricos.

A China passou a ganhar mais protagonismo internacional na matéria sustentável depois que o Estados Unidos decidiu se retirar do Acordo de Paris, no início do primeiro mandato de Donald Trump. Essa nova configuração deu espaço para o governo chinês assumir a liderança no desenvolvimento sustentável. Dentro dos países signatários do Acordo de Paris, a China é a que está mais próxima de atingir suas metas estabelecidas para 2060, e também é o país que mais investe e exporta tecnologia sustentável no mundo.

Os números recentes de recuperação ambiental da China impressionam, mas ainda tem muito a ser feito para que a matriz energética sustentável possa substituir definitivamente o carvão e o petróleo. As iniciativas bem sucedidas feitas pelo governo chinês servem como parâmetro para a construção de um caminho ecológico. Sua influência atual no cenário global pode contribuir para os países do sul global superarem os obstáculos na implementação de suas metas de redução de gases estufas.

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