A China contemporânea será observada por diferentes perspectivas ao longo desta semana na Unicamp. O Instituto de Filosofia e Ciências Humanas recebe, entre 21 e 24 de setembro, a décima edição do Seminário Pesquisar China Contemporânea (SPCC), iniciativa do Centro de Estudos Interdisciplinares Brasil-China (CIEBC) que reúne pesquisadores das Ciências Sociais e Humanidades para discutir transformações do país asiático e suas relações com o mundo. A programação é realizada em formato híbrido.
Chegar à décima edição significa também acompanhar a ampliação dos próprios estudos sobre a China no Brasil. A programação reúne pesquisas em Relações Internacionais, Sociologia, Economia, Política, Demografia, Estudos Ambientais, História, Filosofia, Ciência, Tecnologia e Sociedade, Literatura e Artes. Segundo os organizadores, o seminário procura dar visibilidade a pesquisadores de diferentes regiões do país e estimular cooperações acadêmicas na construção de uma perspectiva brasileira sobre a China.
A diversidade dos temas aparece na programação desta edição. Ao longo dos quatro dias, as mesas tratam de economia, geopolítica, relações internacionais, estudos ambientais, planejamento territorial e urbano, humanidades, educação, mídia e comunicação. Entre as conferências estão uma discussão sobre a moeda digital chinesa e os esforços de desdolarização, apresentada pelo economista Bruno de Conti, e outra sobre os efeitos da digitalização nas áreas rurais chinesas, com Lu Peng, do Instituto de Sociologia da Academia Chinesa de Ciências Sociais.
A presença de pesquisadores chineses também atravessa a programação. Zhu Di participa da abertura com uma discussão sobre mudanças na economia digital e o desenvolvimento do turismo cultural rural na China. Lu Peng, além da conferência sobre digitalização, integra a interlocução entre pesquisadores da CASS e da Unicamp que marca parte do encontro. A programação internacional inclui ainda Laurence Roulleau-Berger, pesquisadora da École Normale Supérieure de Lyon e do CNRS, que aborda a passagem da sociologia chinesa para uma perspectiva pós-ocidental.
É justamente essa discussão sobre como produzir conhecimento que ganha continuidade nos dias 24 e 25, com os Ateliês em Sociologia Pós-Ocidental. A atividade reúne pesquisadores do Brasil, China e Europa em debates sobre divisões entre Ocidente e não Ocidente, migrações, trabalho e sociologia econômica. As sessões dos ateliês serão realizadas em inglês e não terão tradução simultânea.
A história do próprio SPCC ajuda a dimensionar a importância do encontro. O seminário começou em 2017 e, ao longo das últimas edições, passou a reunir pesquisadores de áreas distintas interessados em compreender a China a partir de diferentes campos de investigação. Em 2026, a celebração de dez anos coloca em evidência não apenas as transformações estudadas, mas também a consolidação de uma agenda acadêmica brasileira dedicada ao país.
Ao concentrar em uma mesma programação questões econômicas, sociais, ambientais, tecnológicas e culturais, o seminário oferece um retrato de como a China pode ser estudada para além de uma única área de conhecimento. A proposta parte do país asiático, mas alcança debates mais amplos sobre desenvolvimento, transformação tecnológica, relações internacionais e as formas pelas quais diferentes tradições acadêmicas constroem interpretações sobre o mundo contemporâneo.
SERVIÇO
X Seminário Pesquisar China Contemporânea (SPCC)
Data: 21 a 24 de setembro de 2026
Formato: híbrido
Local: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp — Rua Cora Coralina, 100, Cidade Universitária Zeferino Vaz, Barão Geraldo, Campinas (SP)
Ateliês em Sociologia Pós-Ocidental: 24 e 25 de setembro
Idioma dos Ateliês: inglês, sem tradução simultânea
