Monstros gigantes, heróis mascarados e cidades ameaçadas fazem parte de um imaginário que também chegou ao Brasil pela televisão. Esse universo, conhecido como tokusatsu, será revisitado em Florianópolis de 24 a 27 de setembro na exposição “Tokusatsu – O Legado dos Heróis e Kaijuu diante dos Desafios Ambientais do Século XXI”, que propõe observar como preocupações ambientais, científicas e sociais aparecem nas narrativas do gênero. A entrada é gratuita.
Para quem não está familiarizado com o termo, tokusatsu é uma denominação associada a produções japonesas marcadas pelo uso de efeitos especiais, especialmente histórias de ação e ficção científica com heróis, criaturas gigantes e ameaças extraordinárias. No Brasil, parte desse repertório tornou-se conhecida por personagens e séries exibidos na televisão. Um exemplo mais próximo do público brasileiro é Power Rangers: a franquia norte-americana foi construída a partir da japonesa Super Sentai, pertencente ao universo do tokusatsu.
A exposição parte justamente dessa familiaridade para propor outra leitura. Em muitas produções, o perigo enfrentado pelos personagens não surge apenas como uma ameaça fantástica, mas está ligado a problemas científicos, tecnológicos e ambientais. Godzilla, que surgiu no cinema japonês em 1954, é um dos exemplos mais emblemáticos dessa relação. O personagem nasceu em um Japão ainda profundamente marcado pela Segunda Guerra Mundial, pela memória dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki e pelo temor dos efeitos da radiação nuclear. A criatura tornou-se, assim, uma expressão da dimensão destrutiva da tecnologia e da própria experiência japonesa com a guerra e a radiação.
A partir desse repertório, a mostra aborda questões como poluição, degradação ambiental, exploração de recursos naturais, alterações nos ecossistemas e os efeitos do desenvolvimento tecnológico. Também entram em discussão problemas mais recentes, entre eles mudanças climáticas e eventos ambientais extremos. A proposta é observar como essas preocupações foram incorporadas ao imaginário do tokusatsu em diferentes períodos e podem ser relidas diante dos desafios atuais.
O recorte também desloca a atenção da nostalgia para a maneira como esses personagens funcionam dentro das histórias. Heróis e equipes de defesa costumam lidar com situações que exigem conhecimento, cooperação e capacidade de resposta coletiva. Na exposição, esses elementos servem como ponto de partida para uma reflexão sobre a responsabilidade diante de problemas que não podem ser resolvidos por um único personagem.
Realizada pelo Nipocultura em parceria com a Sato Company, a exposição busca alcançar tanto quem já acompanha o gênero quanto visitantes que terão seu primeiro contato com o tokusatsu. O projeto conta ainda com apoio da Fundação Japão, Hanashi, Consulado-Geral do Japão em Curitiba e Tokusatsu BR. A programação inclui, além da mostra, a exibição de episódios de séries entre 25 e 27 de setembro.
Ao recuperar personagens e histórias conhecidos por suas batalhas fantásticas, a mostra propõe olhar para o que existe por trás dos efeitos especiais. Monstros e heróis passam a funcionar também como imagens de medos concretos — da devastação provocada pela guerra e da radiação à degradação ambiental — e ajudam a revelar como a cultura popular japonesa incorporou transformações científicas e sociais de diferentes épocas.
SERVIÇO
Exposição “Tokusatsu – O Legado dos Heróis e Kaijuu diante dos Desafios Ambientais do Século XXI”
Data: 24 a 27 de setembro de 2026
Horário: das 10h às 21h
Local: Sala Expositiva 2 do Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC), no Centro Integrado de Cultura (CIC)
Endereço: Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis (SC)
Entrada: Gratuita
Exibição de episódios das séries
Data: 25 a 27 de setembro de 2026
Local: Sala Multimídia
Realização: Nipocultura, em parceria com a Sato Company
Apoio: Fundação Japão, Hanashi, Consulado-Geral do Japão em Curitiba e Tokusatsu BR.
