Do celular, hoje tão indispensável quanto a própria carteira com dinheiro e documentos, aos carros elétricos, que dependem de chips cada vez mais eficientes para ampliar sua autonomia, os semicondutores já ocupam o centro da vida cotidiana, da economia global e das novas fronteiras da inovação. Mas, para Samir Vani, diretor de desenvolvimento de negócios da MediaTek para a América Latina, liderar esse mercado exige algo além de conhecimento técnico: requer leitura cultural, paciência e capacidade de construir confiança entre formas diferentes de pensar, trabalhar e decidir (veja a entrevista completa no vídeo a seguir).
À frente da atuação regional de uma das principais empresas globais de semicondutores, Vani transita entre smartphones, televisores, redes Wi-Fi, tecnologia automotiva, inteligência artificial e soluções de conectividade. Nessa agenda, a inovação não aparece como abstração futurista, mas como resposta a necessidades concretas: conectar pessoas, ampliar a eficiência, reduzir o consumo de energia, democratizar o acesso à tecnologia e preparar consumidores, empresas e governos para uma sociedade cada vez mais digital.
Em entrevista exclusiva ao Conexão Ásia, o executivo fala sobre o papel estratégico dos semicondutores na transformação de mercados emergentes como o Brasil e destaca que a aproximação com a Ásia depende tanto de engenharia quanto de gestão intercultural. Para ele, brasileiros e asiáticos partem de escalas de valores diferentes, especialmente na relação com a hierarquia, o trabalho, a confiança e o tempo de construção das relações. O desafio do gestor, nesse contexto, é evitar julgamentos precipitados e transformar diferenças culturais em aprendizado, cooperação e resultado.
Com mais de dez anos de experiência na MediaTek e passagem por empresas japonesas, coreanas, europeias e chinesas, Vani defende que o Brasil não precisa copiar modelos asiáticos, mas construir sua própria trajetória tecnológica. Em um setor movido por inovação acelerada, sua visão aponta para um caminho em que semicondutores, conectividade e inteligência artificial só ganham verdadeiro impacto quando acompanhados de diálogo, humildade cultural e disposição para a colaboração.