Relações interculturais com qualidade e profundidade

Relações interculturais
com qualidade e profundidade

Quando respirar se torna um posicionamento coletivo

Respirar é, no cotidiano, um gesto individual e automático de vida. Na ilha de Jeju, na Coreia do Sul, porém, grupos de mulheres mostram que essa prática também pode ser um posicionamento coletivo. Há gerações, elas mergulham em águas geladas e cheias de riscos para colher frutos do mar em apneia, sem qualquer equipamento de respiração. Mais do que qualquer lógica de competição individual, permanecem atentas às condições do mar, aos cuidados necessários e ao fôlego umas das outras, em uma espécie de “respiração coletiva”. São as Haenyeo (pronuncia-se ré-nió), personagens que a pesquisadora Jinhee Park, curadora da exposição “Sopro do Mar – Jeju Haenyeo, mulheres e coletividade”, aproxima do público brasileiro com a mostra em exibição no Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB), em São Paulo, até 30 de agosto, como ela conta a seguir.

Copa na K-Square

O bairro do Bom Retiro, conhecido pela presença da comunidade coreana já está pronto para a Copa do Mundo. O local terá transmissões gratuitas dos jogos da Coreia do Sul. As exibições acontecem no K-Square, em São Paulo, com entrada gratuita e aberta ao público, sujeita à lotação.

A iniciativa é realizada pelo Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB), em parceria com a Associação Brasileira dos Coreanos (ABC) e a Associação Coreana de Futebol no Brasil. A proposta é reunir a comunidade para torcer pelos Taeguk Warriors, como é conhecida a seleção sul-coreana, em um ambiente de celebração, convivência e pertencimento.

Durante os encontros, os participantes terão acesso a itens de torcida. “A Copa do Mundo é um momento de celebração universal, e nada melhor do que vivê-la em comunidade”, afirma Jeong Jeonghee, diretora do Centro Cultural Coreano no Brasil.

Mas atenção com a classificação etária: menores de 16 anos devem estar acompanhados por responsável legal. Menores entre 16 e 18 anos podem entrar desacompanhados mediante apresentação de termo de autorização assinado e autenticado pelo responsável legal, disponível no site do CCCB: https://brazil.korean-culture.org/pt/438/board/183/read/145340

Somos todos asiáticos?

A pergunta do título é um convite à reflexão sobre a identidade do brasileiro. A ciência, por meio da genética, já comprovou que o Homo sapiens sapiens, a espécie humana que conhecemos hoje, surgiu na África, de onde se espalhou pelo mundo, cruzando, em sua trajetória, com outras espécies, como os neandertais na Europa e, em partes da Ásia, com grupos como os denisovanos.

No caso das Américas, estudos indicam que os povos originários descendem diretamente de populações vindas da Ásia há milhares de anos. Por isso, falar da pré-história do Brasil é também reconhecer uma conexão profunda com o continente asiático.

Nesta entrevista, Pedro Paulo Funari, historiador, antropólogo, arqueólogo, professor da Unicamp e autor de livros como “Pré-história do Brasil”, da Editora Contexto, ajuda a ampliar esse olhar. Mais do que revisitar o passado, a conversa lembra que o Brasil não começou em 1500 e que conhecer a história, os saberes, as línguas, a arte e a cultura dos povos indígenas é essencial para contar quem são os brasileiros, de fato, com mais justiça, respeito e verdade.

K-Beauty na Virada Cultural

Nem a chuva do fim de semana diminuiu o interesse do público pela K-Beauty Premium Pop-Up Store, atração instalada na sede do Centro Cultural Coreano no Brasil, durante a 21ª Virada Cultural de São Paulo. Realizado pela Korea International Trade Association (KITA), em parceria com o Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB) e a Korea Trade-Investment Promotion Agency (KOTRA), o espaço recebeu fãs e interessados em cosméticos coreanos, incluindo marcas que ainda não chegaram oficialmente ao mercado brasileiro.

A programação inclui experimentação e venda de produtos, ambientes instagramáveis, distribuição de brindes e ações interativas voltadas ao universo da beleza sul-coreana. A proposta aproxima o público brasileiro de uma das tendências mais fortes da cultura contemporânea da Coreia do Sul, que vem conquistando cada vez mais espaço no Brasil por meio da música, do audiovisual, da gastronomia e também dos cuidados com a pele.

No andar superior do CCCB, a programação também inclui ações de K-Food, com exposição, degustação de produtos e experiências interativas relacionadas à culinária coreana. A atração tem entrada gratuita e segue até domingo, 24 de maio, com o encerramento da Virada Cultural.

Vietnã para além de Hollywood

Valter Peixoto nasceu em Santos, São Paulo, cidade onde o maior porto da América Latina aproxima o Brasil do mundo todos os dias. Nesse ambiente, marcado pela circulação de mercadorias e pelo encontro entre diferentes países, ele iniciou uma trajetória profissional.

Especialista em comércio exterior, com pós-graduação em relações internacionais e uma veia de comunicador, Valter encontrou no podcast Mente Mundo uma forma de transformar curiosidade, pesquisa e análise em conteúdo acessível. Seu olhar se voltou para o Sudeste Asiático, mas nesta entrevista ele fala especificamente do Vietnã, país muitas vezes ainda visto pelo imaginário ocidental a partir da guerra e das narrativas de Hollywood.

Para ele, no entanto, o Vietnã precisa entrar no radar dos brasileiros como exemplo de desenvolvimento, estratégia, resiliência histórica e pragmatismo econômico, como conta a seguir.

Build Your Dream Award

BYD cria prêmio no Festival de Cinema de Cannes para dar visibilidade a novos talentos do cinema internacional. A iniciativa faz parte de uma parceria com o estúdio europeu Mediawan.

O prêmio será anunciado durante o festival e passa a destacar, anualmente, o melhor longa-metragem de estreia lançado nos cinemas franceses nos últimos 12 meses. Em sua primeira edição, a iniciativa reúne 15 filmes internacionais.

Ópera de Pequim na USP

A Companhia Nacional da Ópera de Pequim realiza um workshop gratuito no Centro Cultural Camargo Guarnieri, na USP, em São Paulo. A atividade integra a passagem da companhia pelo Brasil e oferece ao público uma oportunidade de aproximação com uma das expressões mais tradicionais das artes cênicas chinesas.

O público chinês entra no radar do marketing imobiliário brasileiro

O avanço das relações entre Brasil e China já não pode ser lido apenas como um tema diplomático, comercial ou industrial. Ele começa a produzir efeitos concretos sobre o consumo, a circulação de pessoas, a escolha de moradia e, consequentemente, sobre a forma como empresas brasileiras devem pensar produto, comunicação e experiência. No mercado imobiliário, esse movimento merece atenção especial.

Com a perspectiva de flexibilização de vistos para cidadãos chineses, o Brasil tende a se tornar um destino mais acessível para visitantes, executivos, investidores, equipes técnicas e famílias que circulam entre os dois países. Esse fluxo não interessa apenas ao turismo. Ele abre uma janela de oportunidade para diferentes segmentos econômicos, inclusive o imobiliário, que precisará estar mais preparado para compreender um público com hábitos, referências culturais e expectativas distintas das brasileiras.

Mo Yan no Fórum Unesp 50 Anos

O escritor chinês Mo Yan, Prêmio Nobel de Literatura em 2012, é um dos destaques do Fórum Unesp 50 Anos, que acontece de 13 a 15 de maio de 2026, em São Paulo. Ele abre o evento no dia 13 e participa, no dia 14, da mesa “Literatura sem fronteiras – Brasil e China”, ao lado do escritor brasileiro Milton Hatoum, imortal da Academia Brasileira de Letras.

Vai pra China, Eduardo!

Novo documentário do ICL – Instituto Conhecimento Liberta fecha a trilogia que analisa modelos econômicos e sociais fora do eixo tradicional do Ocidente.