Relacões interculturais
com qualidade e profundidade

CONTATO

Para além do que é visto

Quando se fala em cultura coreana, os primeiros exemplos costumam vir do K-pop, das séries ou do cinema que conquistaram audiências internacionais. Porém, por trás desse fenômeno conhecido como K-culture, existe um ecossistema cultural mais amplo, formado por tradições, saberes e práticas artísticas que sustentam essa presença global.
Entre essas expressões está a minhwa, pintura popular coreana marcada por simbolismos e narrativas ligadas à vida cotidiana. Durante séculos, tigres, flores, pássaros ou estantes de livros foram retratados não apenas como imagens decorativas, mas como portadores de desejos coletivos de prosperidade, longevidade e harmonia familiar.
Em viagem ao Brasil para a abertura da exposição Rota da Minhwa: dois espaços, uma experiência, no Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB), os professores da Universidade Dongduk — Song Chang-su, especialista na prática da minhwa, e Kim Min, pesquisador dedicado à ciência dos materiais e à conservação do patrimônio cultural — concederam entrevista ao Conexão Ásia.
A seguir, explicam como essa tradição continua a se reinventar e por que compreendê-la exige ir além da superfície das imagens.

Comida como oferenda, mas para “deuses” humanos

Qual a probabilidade de uma profissional de Estatística virar especialista em gastronomia? Pois a chinesa Jiang Pu faz parte dessa amostra. Formada pela USP – Universidade de São Paulo, ela não hesitou quando, depois de um ano de trabalho, achou melhor abrir mão do emprego para trocar percentuais e planilhas pelo prazer de cozinhar. Incentivada por amigos, ela se inscreveu no reality MasterChef Brasil, conquistando o terceiro lugar na segunda temporada do programa. Desde então, construiu uma trajetória na gastronomia como consultora, vem ampliando sua atuação na área e destaca-se pelo conhecimento da culinária chinesa, tema sobre o qual fala na entrevista a seguir.

Civilização Ecológica e superação dos desafios climáticos

A década atual vem apresentando uma série de desafios na implementação de medidas eficazes para conter o avanço do aquecimento global. Desde a década de 1990, inúmeros fóruns climáticos internacionais têm discutido maneiras de firmar metas e comprometimentos para que cada país possa contribuir na diminuição da poluição atmosférica.

Uma rota para diálogos

Eu ainda me lembro da sensação de frustração ao ouvir aqueles colegas recém-chegados à escola e não conseguir compreender uma única palavra. Sabia que falavam chinês, mas não tinha ideia do que conversavam. Naquela época, cheia de inseguranças da adolescência, não rompi a barreira da língua para me aproximar deles.

Uma rota para diálogos

Eu ainda me lembro da sensação de frustração ao ouvir aqueles colegas recém-chegados à escola e não conseguir compreender uma única palavra. Sabia que falavam chinês, mas não tinha ideia do que conversavam. Naquela época, cheia de inseguranças da adolescência, não rompi a barreira da língua para me aproximar deles.

Criatividade, a commodity mais valiosa do mundo

O intercâmbio cultural dentro do mercado de comunicação e marketing brasileiro avança à medida que empresas chinesas ampliam sua presença no Brasil e no Ocidente em geral. Esse movimento impõe desafios às equipes locais, que passam a atuar em ambientes marcados por diferenças de ritmo, linguagem, processos decisórios e referências culturais. Nesse contexto, compreender culturas deixa de ser uma questão protocolar e passa a ser um fator de desempenho. É quando entra em cena profissionais como Pierre Loo, que traduzem esse encontro entre Oriente e Ocidente com autoridade. Criativo premiado e líder com sólida atuação internacional, ele construiu sua carreira navegando entre esses dois universos, conectando estratégias globais a sensibilidades locais. Sua trajetória serve de exemplo do quanto, nesse mundo interligado, é importante a capacidade de dialogar entre culturas e de entender que – como ele mesmo diz – a criatividade é a commodity mais valiosa de todas.

Desvendando a esfinge chinesa

A atual foto de perfil no instagram do pesquisador e empreendedor chinês Yuanpu Huang – @yuanunpackschina – o mostra à frente da grande estátua da Esfinge de Gizé, no Egito. A mesma que, na mitologia, propunha um enigma aos viajantes que por ela passavam: “Decifra-me ou te devoro”. Para ele, mestre em relações internacionais pela China Foreign Affairs University, com formação em finanças pela Universidade Tsinghua e outras formações pela Universidade de Nova York, a ideia da foto foi mais convidativa. Seu objetivo foi mostrar que a nova geração chinesa está mais aberta a conhecer outras culturas e interagir com novos mercados. Fundador da EqualOcean, plataforma global de pesquisa e consultoria em inovação e globalização chinesas, ele tem buscado ampliar essa percepção. E, se alguém ainda vê a China como uma esfinge cheia de mistérios e pronta para devorar o primeiro que passar, Yuan deixa qualquer enigma de lado e é direto ao desvendar o próprio país, sem medo de encarar as esfinges dos demais.

O papel do Ano Novo Chinês no calendário brasileiro

As celebrações do Ano Novo Chinês já integram o calendário cultural da comunidade chinesa no Brasil, ocupando ruas, centros culturais e agendas institucionais nas grandes cidades. Mais do que uma data festiva, o evento expressa uma forma própria de organizar o tempo, valorizar a família e compreender a relação entre trabalho, natureza e sociedade. Aqui no Brasil, onde as relações com a China crescem de forma consistente, essas celebrações são oportunidades para marcas e profissionais que dialogam com o público chinês. É nesse contexto que Bob Wei, presidente da Chinarte – empresa que há mais de 20 anos atua na construção de pontes entre China e Brasil por meio de soluções de comunicação – explica por que entender esses códigos culturais deixou de ser curiosidade e passou a ser estratégia.

Curso de Hangul

Estão abertas as inscrições para o curso de escrita coreana, oferecido pelo Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB).

+ Produção local

Depois de bater a Tesla e liderar as vendas globais de veículos elétricos, a chinesa BYD avança no Brasil.