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Além dos chineses, outros profissionais asiáticos se destacam na imigração laboral para o Brasil

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Quando se fala em relações econômicas entre o Brasil e a Ásia, a China costuma ocupar o centro das atenções, uma vez que o Brasil é o principal destino de investimentos daquele país. No entanto, um levantamento da Fragomen, líder global em imigração e mobilidade internacional, revela neste ano uma presença diversificada de profissionais asiáticos na economia brasileira. Filipinas, Índia, Japão, Bangladesh, Coreia do Sul, Turquia, Malásia, Indonésia e Singapura também aparecem entre as principais origens de trabalhadores estrangeiros, com perfis de atuação que refletem diferentes conexões econômicas entre o Brasil e esses países.

A análise reúne 12.588 registros de vistos de trabalho publicados neste ano no Diário Oficial da União até setembro. A China lidera com 65,5% (8.248) do total de registros. Entretanto, os outros nove países que completam o grupo dos dez primeiros somam 4.072 registros, aproximadamente um terço do conjunto analisado. As Filipinas ocupam a segunda posição, com 1.583 registros, seguidas pela Índia (781), Japão (578), Bangladesh (298), Coreia do Sul (224), Turquia (217), Malásia (179), Indonésia (158) e Singapura (54).

Mais do que uma diversidade de nacionalidades, os dados mostram diferenças significativas entre os setores econômicos que recebem esses profissionais. Enquanto a presença chinesa está fortemente associada à indústria automotiva e à infraestrutura, trabalhadores filipinos, indianos, malaios, indonésios e singapurianos aparecem em atividades relacionadas a petróleo, gás e energia, incluindo operações marítimas e offshore. Japoneses e sul-coreanos também apresentam conexões relevantes com a indústria automotiva, enquanto os registros de Bangladesh revelam uma concentração na indústria de alimentos.

Acompanhar os dados da imigração é ativo estratégico para o planejamento das empresas, já que mostram tanto de onde vêm os investimentos estrangeiros quanto onde se concentra o desenvolvimento profissional. O caso da China, por exemplo, mostra um alto fluxo de investimento no setor automobilístico, trazendo a maioria dos seus profissionais para empresas da mesma nacionalidade. Bangladesh, por sua vez, envia para o Brasil muitos profissionais especializados no abate halal, uma certificação essencial para que a carne brasileira possa ser exportada para países de maioria muçulmana. As Filipinas, por outro lado, têm um número relevante de tripulantes em navios que chegam ao Brasil. Com esses dados, a Fragomen tem elementos para realizar planejamentos muito mais eficientes e otimizados para nossos clientes.

O levantamento detalhou as empresas e os segmentos econômicos associados aos dez principais países. Nesse universo, a indústria automotiva lidera com aproximadamente 48,4%, seguida por petróleo, gás e energia com 26,4%, e infraestrutura e construção com 12%. Juntos, os três setores representam 86,8% dos registros com classificação empresarial.

Filipinos na indústria offshore, indianos em tecnologia e bengaleses em alimentos

As Filipinas representam um dos exemplos mais expressivos dessa diversidade. Dos registros filipinos associados a empresas, aproximadamente 97,4% estão classificados no segmento de petróleo, gás e energia. A concentração evidencia a importância das atividades marítimas e offshore na circulação de profissionais filipinos para o Brasil, um perfil bastante diferente daquele observado entre os trabalhadores chineses.

A Índia apresenta uma distribuição mais diversificada, com cerca de 53% associados a empresas do setor de petróleo, gás e energia e 23% à tecnologia. Já o Japão mantém uma forte ligação com a indústria automotiva, com 72% dos vistos emitidos por empresas deste setor. A Coreia do Sul também apresenta vínculos industriais, mas com maior diversidade de segmentos relacionados às atividades automotiva, energética, tecnológica e aeroespacial.

Outro resultado relevante é o de Bangladesh. Embora o país represente uma parcela menor do total de vistos, sua distribuição setorial revela uma especialização distinta. Do total de registros classificados, 76% estão relacionados à indústria de alimentos, especializada no abate de carne para países de população muçulmana. Malásia, Indonésia e Singapura, por sua vez, apresentam uma presença predominantemente relacionada às atividades de petróleo, gás, energia e operações marítimas. A Turquia aparece com registros concentrados em empresas dos segmentos de construção e energia.

Mobilidade internacional também ajuda a compreender movimentos econômicos

A diversidade de nacionalidades e setores evidencia como a circulação internacional de profissionais acompanha diferentes atividades econômicas no Brasil. A chegada de trabalhadores estrangeiros pode estar relacionada à implantação de projetos, expansão de operações, transferência de tecnologia, assistência técnica e necessidade de competências específicas.

O caso chinês é particularmente expressivo, uma vez que 70% dos registros estão associados à indústria automotiva. Essa concentração sugere uma relação importante entre a movimentação de profissionais e a atividade industrial de grandes companhias. O número de chineses no país reflete os recentes investimentos que o país asiático vem realizando no Brasil com a ampliação da produção de carros elétricos, por exemplo. Na última edição da ROG.e, em setembro deste ano, vimos uma delegação chinesa muito maior que na edição de 2024, representando 25% dos expositores estrangeiros presentes no evento. Como resultado deste movimento, podemos esperar um número maior de chineses para empresas do setor de energia nos próximos anos.

Mas a análise também demonstra que observar apenas a China pode esconder outros movimentos relevantes. A presença filipina nas operações offshore, a participação indiana em energia e tecnologia e a concentração de trabalhadores de Bangladesh na indústria alimentícia mostram que as conexões econômicas entre o Brasil e a Ásia assumem diferentes formas. Para a Fragomen, os registros migratórios constituem uma fonte complementar de inteligência econômica. A identificação das nacionalidades, empresas e setores envolvidos pode ajudar a compreender tendências de mobilidade internacional e levantar hipóteses sobre novos projetos, demandas profissionais e transformações produtivas.

Os dados de vistos, entretanto, não demonstram isoladamente a realização de investimentos estrangeiros, nem permitem concluir que todos os registros correspondam a novas contratações ou entradas efetivas no Brasil. Para compreender esses movimentos em profundidade, é necessário cruzar as informações migratórias com dados da economia, como investimentos estrangeiros, operações empresariais e projetos econômicos.

Mais do que ampliar a presença asiática no país, esse cenário celebra a diversidade de nacionalidades, competências e investimentos que já contribuem para a economia brasileira. Ao reunir diferentes origens, setores e modelos de atuação, o Brasil fortalece sua capacidade de inovar, diversificar suas cadeias produtivas e abrir novas frentes de desenvolvimento. O potencial está justamente nessa pluralidade: transformar conexões internacionais cada vez mais diversas em crescimento econômico, geração de oportunidades e desenvolvimento sustentável para o país.

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