Entre Cerejeiras e Estrelas

O inverno paulistano voltará a ganhar tons de rosa com a chegada da 46ª Festa das Cerejeiras e da 6ª edição do Festival das Estrelas Tanabata ao Parque do Carmo, na zona leste da capital. Ao longo de dois fins de semana, a programação reúne apresentações culturais, gastronomia e atividades inspiradas nas tradições japonesas em meio ao bosque de cerejeiras do parque.
Além da florada, um dos momentos mais aguardados do ano, o evento contará com apresentações de grupos de dança folclórica, músicos, bailarinos e performances de taiko, os tradicionais tambores japoneses. As atividades estarão distribuídas entre a arena principal, a praça de alimentação, o Bosque das Cerejeiras e o Planetário do Carmo, ampliando a experiência do público com diferentes manifestações da cultura japonesa.
A programação também incorpora o Tanabata, conhecido como Festival das Estrelas, celebração tradicional japonesa marcada pelos pedidos escritos em tiras de papel e pendurados em ramos de bambu. Realizado anualmente no Japão, o festival tem origem em antigas tradições asiáticas e simboliza o encontro entre as estrelas Orihime e Hikoboshi.
Com entrada gratuita, a festa é organizada pela Federação Sakura e Ipê do Brasil. O bosque abriga milhares de cerejeiras e recebe visitantes de diferentes regiões da cidade para celebrar o hanami, costume japonês de contemplar a floração das árvores.
Cinema japonês no Sesc São Caetano

Dos cenários distópicos de Akira às paisagens melancólicas de Angel’s Egg, o Sesc São Caetano recebe, ao longo de julho, uma mostra gratuita dedicada a alguns dos títulos mais emblemáticos da animação japonesa. Com sessões aos sábados, às 16h, a programação reúne produções que atravessaram gerações e ajudaram a consolidar os animes como uma das mais influentes expressões do audiovisual contemporâneo.
A seleção tem início com Akira (1988), obra-prima de Katsuhiro Otomo que redefiniu a ficção científica no cinema de animação. Na semana seguinte, o público poderá assistir a Vidas ao Vento (2013), dirigido por Hayao Miyazaki, seguido por Nausicaä do Vale do Vento (1984), longa que antecipa temas que se tornariam centrais na trajetória do cineasta japonês. Encerrando a mostra, Angel’s Egg (1985), de Mamoru Oshii, leva às telas uma narrativa marcada pelo simbolismo e pela contemplação.
Ao reunir produções de diferentes períodos e estilos, a programação convida tanto admiradores da cultura japonesa quanto espectadores interessados em grandes narrativas cinematográficas a revisitar obras que continuam influenciando artistas, cineastas e a cultura pop ao redor do mundo. Todas as sessões são gratuitas e os convites serão distribuídos no próprio local, sujeitos à capacidade do espaço.
“Haenyeo, Mulheres do Mar”

Uma exposição sobre as lendárias mergulhadoras da ilha de Jeju, na Coreia do Sul, está em cartaz até 30 de agosto na Kobbi Gallery, em São Paulo. “Haenyeo, Mulheres do Mar” reúne fotografias de Luciano Candisani sobre o cotidiano dessas mulheres, que mergulham em apneia a cerca de 20 metros de profundidade para coletar frutos do mar – tradição reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
As imagens, produzidas durante duas viagens do fotógrafo ao país, registram diferentes momentos da rotina das haenyeo, desde a preparação para os mergulhos até a relação cotidiana que mantêm com a paisagem marítima da ilha. A mostra oferece, assim, uma nova perspectiva sobre uma prática preservada há séculos e ainda pouco conhecida fora da Coreia do Sul.
Marcadas pela estética monocromática, as fotografias evidenciam a força simbólica dessas mergulhadoras, responsáveis pelo sustento de suas famílias por meio do trabalho no mar, e revelam a relação singular que mantêm com o oceano e com o território que habitam.
Cursos gratuitos de cultura coreana

O Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB) volta a abrir inscrições para seus cursos gratuitos e presenciais no segundo semestre de 2026. A partir das 10h do dia 13 de julho, o público poderá se candidatar às vagas para aulas de língua coreana, K-Dance e taekwondo, oferecidas em parceria com instituições culturais da cidade de São Paulo, ampliando as oportunidades de contato com diferentes manifestações da cultura sul-coreana.
Entre as opções está o curso de língua coreana, realizado em parceria com o Instituto Rei Sejong e voltado a alunos do nível iniciante ao avançado, com o objetivo de desenvolver o aprendizado do idioma de forma estruturada. Já o K-Dance oferece aulas inspiradas nas coreografias do pop sul-coreano, enquanto o taekwondo apresenta aos participantes a tradicional arte marcial coreana, combinando técnicas esportivas, disciplina e condicionamento físico.
Cores da China

A Orquestra Chinesa de Shanghai desembarca no Brasil com o espetáculo “Cores da China”, unindo tradição musical e contemporaneidade em uma turnê que integra a programação oficial do Ano Cultural Brasil-China 2026.
Alimentação na China Antiga

Para quem gosta de história, vale a visita ao Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, onde está sendo exibida a mostra “Sabores da Tradição – História da Alimentação na China Antiga”. A exposição abriga um acervo de artefatos que ampliam o intercâmbio cultural com países estrangeiros.
A exibição faz parte da programação do Ano Cultural Brasil-China, que busca estreitar laços entre os dois países e aproximar o público da cultura chinesa. Com coordenação geral da Expomus e articulação institucional do Ministério da Cultura, a mostra fica em cartaz até 11 de outubro, com mais de 120 objetos cedidos temporáriamente pelo Museu Nacional da China, em Pequim, cobrindo um arco temporal de 10 mil anos.
A exposição demonstra a riqueza cultural da culinária chinesa e como esta se entremeia na tradição dos mais diversos povos. O circuito expositivo vai além das vitrines e traz recursos tecnológicos, incluindo projeções digitais e telas interativas que recriam banquetes imperiais.
Com entrada gratuita, a visitação ocorre de quarta a domingo, das 10h às 18h, com a última entrada permitida até às 17h.
Serviço
Evento: Exposição “Sabores da Tradição: história da alimentação na China antiga”
Realização: Ministério da Cultura, Ibram, Museu Histórico Nacional e Museu Nacional da China
Data: de 27/06/2026 até 11/10/2026
Horário: de quarta a domingo das 10h às 18h
Local: Museu Histórico Nacional (MHN)
Endereço: Praça Marechal Âncora, s/nº, Centro, Rio de Janeiro – RJ
Entrada: gratuita
27º Festival do Japão

Considerada a maior celebração de cultura japonesa do mundo, o Festival do Japão realiza sua 27ª edição entre os dias 10 e 12 de julho, no São Paulo Expo. O evento reúne o melhor da gastronomia, arte, cultura pop, esportes, bem-estar, experiências interativas e tradições preservadas ao longo de gerações.
Realizado pela KENREN (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), o festival não possui fins lucrativos e auxilia na manutenção das 47 associações de províncias e sete entidades beneficentes da comunidade nipo-brasileira, mobilizando mais de 15.000 voluntários.
Através de sua extensa programação de atividades e apresentações que atendem os mais diversos públicos, a iniciativa reafirma seu papel como importante plataforma de intercâmbio cultural em um encontro onde os laços entre pessoas, histórias e gerações seguem vivos e em constante construção.
Com ingressos à venda online até o dia 9 de julho, o evento conta com entrada gratuita para crianças até 8 anos, mulheres acima de 65 anos, homens acima de 70 anos e pessoas com deficiência. A entrada de menores de 18 anos só será permitida quando acompanhados pelos pais ou responsáveis legais.
Serviço
Evento: 27º Festival do Japão
Realização: Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil – KENREN
Datas e Horários:
10/07 (Sexta-feira) – 11h às 21h
11/07 (Sábado) – 9h às 21h
12/07 (Domingo) – 9h às 18h
Local: São Paulo Expo Exhibition & Convention Center
Endereço: Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, São Paulo – SP
Ingressos e vendas: Online pelo site Guiche Web
Quando respirar se torna um posicionamento coletivo

Respirar é, no cotidiano, um gesto individual e automático de vida. Na ilha de Jeju, na Coreia do Sul, porém, grupos de mulheres mostram que essa prática também pode ser um posicionamento coletivo. Há gerações, elas mergulham em águas geladas e cheias de riscos para colher frutos do mar em apneia, sem qualquer equipamento de respiração. Mais do que qualquer lógica de competição individual, permanecem atentas às condições do mar, aos cuidados necessários e ao fôlego umas das outras, em uma espécie de “respiração coletiva”. São as Haenyeo (pronuncia-se ré-nió), personagens que a pesquisadora Jinhee Park, curadora da exposição “Sopro do Mar – Jeju Haenyeo, mulheres e coletividade”, aproxima do público brasileiro com a mostra em exibição no Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB), em São Paulo, até 30 de agosto, como ela conta a seguir.
Copa na K-Square

O bairro do Bom Retiro, conhecido pela presença da comunidade coreana já está pronto para a Copa do Mundo. O local terá transmissões gratuitas dos jogos da Coreia do Sul. As exibições acontecem no K-Square, em São Paulo, com entrada gratuita e aberta ao público, sujeita à lotação.
A iniciativa é realizada pelo Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB), em parceria com a Associação Brasileira dos Coreanos (ABC) e a Associação Coreana de Futebol no Brasil. A proposta é reunir a comunidade para torcer pelos Taeguk Warriors, como é conhecida a seleção sul-coreana, em um ambiente de celebração, convivência e pertencimento.
Durante os encontros, os participantes terão acesso a itens de torcida. “A Copa do Mundo é um momento de celebração universal, e nada melhor do que vivê-la em comunidade”, afirma Jeong Jeonghee, diretora do Centro Cultural Coreano no Brasil.
Mas atenção com a classificação etária: menores de 16 anos devem estar acompanhados por responsável legal. Menores entre 16 e 18 anos podem entrar desacompanhados mediante apresentação de termo de autorização assinado e autenticado pelo responsável legal, disponível no site do CCCB: https://brazil.korean-culture.org/pt/438/board/183/read/145340
Somos todos asiáticos?

A pergunta do título é um convite à reflexão sobre a identidade do brasileiro. A ciência, por meio da genética, já comprovou que o Homo sapiens sapiens, a espécie humana que conhecemos hoje, surgiu na África, de onde se espalhou pelo mundo, cruzando, em sua trajetória, com outras espécies, como os neandertais na Europa e, em partes da Ásia, com grupos como os denisovanos.
No caso das Américas, estudos indicam que os povos originários descendem diretamente de populações vindas da Ásia há milhares de anos. Por isso, falar da pré-história do Brasil é também reconhecer uma conexão profunda com o continente asiático.
Nesta entrevista, Pedro Paulo Funari, historiador, antropólogo, arqueólogo, professor da Unicamp e autor de livros como “Pré-história do Brasil”, da Editora Contexto, ajuda a ampliar esse olhar. Mais do que revisitar o passado, a conversa lembra que o Brasil não começou em 1500 e que conhecer a história, os saberes, as línguas, a arte e a cultura dos povos indígenas é essencial para contar quem são os brasileiros, de fato, com mais justiça, respeito e verdade.