“Mandarim como ativo profissional”

Idealizador da implementação do primeiro Instituto Confúcio do Brasil, inaugurado em 2008, o professor Luis Antonio Paulino foi pioneiro ao enxergar a dimensão estratégica que a China teria para o país no século 21. Hoje, à frente de uma rede presente em todo o território nacional, responsável pelo ensino da língua e divulgação da cultura chinesa, ele defende o estudo do mandarim como ferramenta essencial. E isso de forma acadêmica e profissional, especialmente para quem atua em um ambiente cada vez mais integrado ao eixo Brasil-China, como especialistas em propaganda e marketing.
Muito além da burocracia

A relação Brasil-China avança, e com ela as oportunidades de negócios. Mas é preciso ir além da burocracia jurídica, das formalidades contratuais e das missões que viram turismo. Negociações eficazes nascem da leitura das sutilezas culturais e dos modos de trabalho que só quem vive as duas realidades consegue interpretar. É nesse ponto que a atuação da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE) torna-se decisiva, como fica evidente na entrevista a seguir com o seu presidenteexecutivo, Oscar Wei.
Mais espaço para livros chineses

Habituado a encarar multidões que se debruçam sobre as bancas das editoras durante as feiras de livros, o editor da Anita Garibaldi e coordenador do Centro de Documentação e Memória da Fundação Maurício Grabois, Cláudio Gonzalez, tem um termômetro preciso das preferências do público sobre os títulos. E na última Feira do Livro da USP, em novembro, uma preferência ficou ainda mais clara: o interesse por obras chinesas e sobre a China é uma realidade crescente. Na entrevista a seguir, ele fala de oportunidades e desafios para o segmento editorial aproveitar esse momento.
Desafio aceito

“Como você vai largar sua carreira para trabalhar com confecção?” Foi essa a pergunta que a publicitária Cinthia Kim ouviu dos pais coreanos ao trocar a vida corporativa pelo negócio da família no Bom Retiro, bairro paulistano que segue crescendo sob uma forte influência coreana. A escolha se mostrou acertada e a levou à presidência da Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (ABIV). Hoje, como a primeira mulher à frente da entidade, ela busca reposicionar a percepção pública do bairro ao peso econômico e cultural real que ele tem.
‘A arte da guerra’ como inspiração para líderes de paz

Há quem encare as artes marciais apenas como técnicas de autodefesa e livros como ‘A arte da guerra’ apenas como manuais de combate a adversários. Porém, tanto a prática quanto o clássico milenar do pensamento estratégico chinês revelam não um convite ao confronto, mas um repertório profundo sobre disciplina, tomada de decisão e inteligência situacional. É sobre essas competências indispensáveis a qualquer liderança estratégica responsável, que o sinólogo Rogério Fernandes de Macedo, fundador da Associação Sunbin de Wushu e Cultura Chinesa de São Paulo, fala na entrevista a seguir.
‘Fazer primeiro as coisas certas e, depois, fazer certo as coisas’

É com essa chamada “bússola ética”, título desta entrevista, que Ray Yang, chief marketing officer (CMO) global da JOVI, fala sobre a atuação e as perspectivas de longo prazo da empresa no Brasil. A marca, que começou a operar no país em maio deste ano, faz parte do grupo chinês vivo Mobile Communication, um dos líderes globais do segmento, com 30 anos de mercado. Na entrevista a seguir, Yang relembra a trajetória de desenvolvimento e inovação dos celulares, além da presença estratégica no Brasil, que consolida a marca como protagonista na jornada dos smartphones.
O Brasil como prioridade para o streaming asiático

Se antes as novelas brasileiras ultrapassavam barreiras culturais e conquistavam a Ásia, agora é o entretenimento asiático que ganha popularidade e força entre o público brasileiro. Com quase 11 milhões de usuários registrados no país – de um total de cerca de 100 milhões no mundo –, a plataforma de streaming Rakuten Viki tem o Brasil como um de seus três maiores mercados. Nesta entrevista, a vicepresidente de marketing da empresa, Karen Paek, detalha como a alta interação e as particularidades dos fãs brasileiros tornam o país uma prioridade em suas estratégias.
Trump chinês: pronto para visitar o Brasil

Em tempos em que a atenção é um dos ativos mais disputados do marketing, o humor reafirma seu papel como linguagem universal capaz de atravessar fronteiras culturais e conectar pessoas e marcas. É assim que o chinês Ryan Chen, criador do personagem “Trump chinês” (@trumpbyryan), vem conquistando fãs ao redor do mundo, inclusive no Brasil, e chamando a atenção de marcas interessadas em transformar o riso em uma poderosa ferramenta de branding global. E se depender dele, as malas já estão prontas para conhecer os brasileiros e as marcas daqui de perto.
O caminho para uma civilização ecológica

“A proteção ambiental não é um obstáculo ao desenvolvimento, mas a sua pré-condição”. A pesquisadora do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, Tings Chak, lembra que este é um conceito consagrado na Constituição da China e que faz parte de uma visão sistêmica, em que o Estado define a direção estratégica e as empresas são atores cruciais dentro dela. Em tempos de COP30, a doutoranda da Universidade de Tsinghua fala também sobre a importância da comunicação transparente nos processos de proteção e recuperação ambiental e de como o Brasil e a China podem ser um modelo de cooperação internacional.
“O debate é o começo da solução”

A frase acima, citada pelo professor Jun Yan, doutor em sociologia e professor da Universidade de Xangai, sintetiza a experiência da China de enfrentar desafios por meio do diálogo. Mencionada por ele ao responder sobre a presença reduzida de mulheres em multinacionais chinesas no Brasil – empresas que são tema do seu estudo atual –, ela reflete uma mentalidade coletiva voltada à busca conjunta por melhorias. Um princípio que se percebe, ao longo da entrevista a seguir, como uma oportunidade em várias áreas, diante das inúmeras possibilidades de cooperação entre China e Brasil.