Relações interculturais com qualidade e profundidade

Relações interculturais
com qualidade e profundidade

Desafio aceito

“Como você vai largar sua carreira para trabalhar com confecção?” Foi essa a pergunta que a publicitária Cinthia Kim ouviu dos pais coreanos ao trocar a vida corporativa pelo negócio da família no Bom Retiro, bairro paulistano que segue crescendo sob uma forte influência coreana. A escolha se mostrou acertada e a levou à presidência da Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (ABIV). Hoje, como a primeira mulher à frente da entidade, ela busca reposicionar a percepção pública do bairro ao peso econômico e cultural real que ele tem.

‘A arte da guerra’ como inspiração para líderes de paz

Há quem encare as artes marciais apenas como técnicas de autodefesa e livros como ‘A arte da guerra’ apenas como manuais de combate a adversários. Porém, tanto a prática quanto o clássico milenar do pensamento estratégico chinês revelam não um convite ao confronto, mas um repertório profundo sobre disciplina, tomada de decisão e inteligência situacional. É sobre essas competências indispensáveis a qualquer liderança estratégica responsável, que o sinólogo Rogério Fernandes de Macedo, fundador da Associação Sunbin de Wushu e Cultura Chinesa de São Paulo, fala na entrevista a seguir.

‘Fazer primeiro as coisas certas e, depois, fazer certo as coisas’

É com essa chamada “bússola ética”, título desta entrevista, que Ray Yang, chief marketing officer (CMO) global da JOVI, fala sobre a atuação e as perspectivas de longo prazo da empresa no Brasil. A marca, que começou a operar no país em maio deste ano, faz parte do grupo chinês vivo Mobile Communication, um dos líderes globais do segmento, com 30 anos de mercado. Na entrevista a seguir, Yang relembra a trajetória de desenvolvimento e inovação dos celulares, além da presença estratégica no Brasil, que consolida a marca como protagonista na jornada dos smartphones.

O Brasil como prioridade para o streaming asiático

Se antes as novelas brasileiras ultrapassavam barreiras culturais e conquistavam a Ásia, agora é o entretenimento asiático que ganha popularidade e força entre o público brasileiro. Com quase 11 milhões de usuários registrados no país – de um total de cerca de 100 milhões no mundo –, a plataforma de streaming Rakuten Viki tem o Brasil como um de seus três maiores mercados. Nesta entrevista, a vicepresidente de marketing da empresa, Karen Paek, detalha como a alta interação e as particularidades dos fãs brasileiros tornam o país uma prioridade em suas estratégias.

Trump chinês: pronto para visitar o Brasil

Em tempos em que a atenção é um dos ativos mais disputados do marketing, o humor reafirma seu papel como linguagem universal capaz de atravessar fronteiras culturais e conectar pessoas e marcas. É assim que o chinês Ryan Chen, criador do personagem “Trump chinês” (@trumpbyryan), vem conquistando fãs ao redor do mundo, inclusive no Brasil, e chamando a atenção de marcas interessadas em transformar o riso em uma poderosa ferramenta de branding global. E se depender dele, as malas já estão prontas para conhecer os brasileiros e as marcas daqui de perto.

O caminho para uma civilização ecológica

“A proteção ambiental não é um obstáculo ao desenvolvimento, mas a sua pré-condição”. A pesquisadora do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, Tings Chak, lembra que este é um conceito consagrado na Constituição da China e que faz parte de uma visão sistêmica, em que o Estado define a direção estratégica e as empresas são atores cruciais dentro dela. Em tempos de COP30, a doutoranda da Universidade de Tsinghua fala também sobre a importância da comunicação transparente nos processos de proteção e recuperação ambiental e de como o Brasil e a China podem ser um modelo de cooperação internacional.

“O debate é o começo da solução”

A frase acima, citada pelo professor Jun Yan, doutor em sociologia e professor da Universidade de Xangai, sintetiza a experiência da China de enfrentar desafios por meio do diálogo. Mencionada por ele ao responder sobre a presença reduzida de mulheres em multinacionais chinesas no Brasil – empresas que são tema do seu estudo atual –, ela reflete uma mentalidade coletiva voltada à busca conjunta por melhorias. Um princípio que se percebe, ao longo da entrevista a seguir, como uma oportunidade em várias áreas, diante das inúmeras possibilidades de cooperação entre China e Brasil.

“A China não tem pressa”

Calma! Antes que os mais apressados digam que é exatamente o contrário, o título acima faz parte de uma metáfora do engenheiro Lawrence Chung Koo, chinês naturalizado brasileiro, há 67 anos no país. Na sua visão, construída no Brasil, sobre seu país de origem, a China não caminha nem corre; marcha. Isso porque, com mais de cinco mil anos de história, o gigante oriental sabe que mais importante do que chegar logo a algum lugar é manter o ritmo e a consistência em uma velocidade estratégica, sabendo sempre aonde quer chegar.

O início da onda coreana

É comum se atribuir a chamada onda coreana, a “Hallyu”, fenômeno de exportação da cultura pop sul-coreana, como o resultado de um investimento governamental. Na entrevista a seguir, a professora doutora em comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Daniela Mazur, detalha o início desse movimento, inclusive sob aspectos social, político e econômico, mostrando como ele impactou o universo de consumo cultural global por meio de lógicas de contrafluxo, inspirando outros polos não-ocidentais, como Índia, Turquia e Nigéria.

A cara do Brasil

Elas têm traços orientais, fruto do amor à primeira vista entre os pais, descendentes de coreanos Shin e japoneses Furukawa. Mas, embora sob influência asiática, Maria Catarina, Maria Renata, Maria Sofia, Maria Paula, Maria Fernanda e Maria Isadora são brasileiras típicas – expressão da miscigenação étnica e cultural que torna o país tão singular. Inspiradas em suas origens, mas atentas às necessidades de skincare de mulheres brasileiras, uniram ancestralidade e o olhar local para criar a Shincare, como conta Maria Catarina Shin na entrevista a seguir.