Relações interculturais com qualidade e profundidade

Relações interculturais
com qualidade e profundidade

“A China não tem pressa”

Calma! Antes que os mais apressados digam que é exatamente o contrário, o título acima faz parte de uma metáfora do engenheiro Lawrence Chung Koo, chinês naturalizado brasileiro, há 67 anos no país. Na sua visão, construída no Brasil, sobre seu país de origem, a China não caminha nem corre; marcha. Isso porque, com mais de cinco mil anos de história, o gigante oriental sabe que mais importante do que chegar logo a algum lugar é manter o ritmo e a consistência em uma velocidade estratégica, sabendo sempre aonde quer chegar.

O início da onda coreana

É comum se atribuir a chamada onda coreana, a “Hallyu”, fenômeno de exportação da cultura pop sul-coreana, como o resultado de um investimento governamental. Na entrevista a seguir, a professora doutora em comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Daniela Mazur, detalha o início desse movimento, inclusive sob aspectos social, político e econômico, mostrando como ele impactou o universo de consumo cultural global por meio de lógicas de contrafluxo, inspirando outros polos não-ocidentais, como Índia, Turquia e Nigéria.

A cara do Brasil

Elas têm traços orientais, fruto do amor à primeira vista entre os pais, descendentes de coreanos Shin e japoneses Furukawa. Mas, embora sob influência asiática, Maria Catarina, Maria Renata, Maria Sofia, Maria Paula, Maria Fernanda e Maria Isadora são brasileiras típicas – expressão da miscigenação étnica e cultural que torna o país tão singular. Inspiradas em suas origens, mas atentas às necessidades de skincare de mulheres brasileiras, uniram ancestralidade e o olhar local para criar a Shincare, como conta Maria Catarina Shin na entrevista a seguir.

Um prato cheio para fortalecer relações

Um ditado chinês fala que tudo se revolve em torno de um hot pot, prato tradicional servido em uma panela com caldo fervente, onde se cozinha à mesa. Além da comida em si, é uma experiência de compartilhamento e convivência muito particular, como conta Shu Zhi Gao, que junto com Qingjian Sun e Jhony Qiu são sócios do Hot Pot, conhecido também pelo nome chinês Jiu Gong Ge. Situado na Liberdade (SP), é ponto de encontro de asiáticos que querem matar a saudade de casa e de brasileiros que querem conhecer mais a cultura chinesa pelos sabores da mesa

Tradutores da história

Um vídeo de um intérprete entre os presidentes da China e da Rússia viralizou este ano, destacando a relevância da profissão. É sobre esse trabalho multifuncional, cada vez mais requisitado no país com a intensificação das relações BrasilChina, que o tradutor e intérprete de mandarim-português Andre Sun fala a seguir. Com mais de 20 anos de experiência, ele é mais do que uma peça-chave nesses diálogos. Ao intermediar traduções entre presidentes como os da China e do Brasil, ele ajuda a construir a própria história contemporânea global.

A cultura brasileira como inspiração

O que as diferentes regiões brasileiras podem inspirar em termos de unicidade? Qual o impacto da energia e da música de um povo na criatividade e na construção de uma narrativa de marketing? O que se pode aprender com a alternância de ofertas sazonais em uma feira de rua no Brasil? Esses e outros aspectos culturais têm sido elementos de observação detalhada do presidente da fabricante chinesa de smartphones Oppo para América Latina, Ethan Xue, que na entrevista a seguir também conta sobre os planos da empresa no país.

A sabedoria como regra de atuação

O historiador, sinólogo e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) André Bueno conta a seguir que o pensador chinês Kongzi – Confúcio na cultura ocidental – dizia que o sábio não maltrata nem as pessoas nem as palavras. Para ele, a linguagem é o centro da preservação cultural e da comunicação social. Entender o seu pensamento e as formas de comunicação como base para o respeito e a harmonia entre as pessoas e a natureza pode lembrar a profissionais de propaganda e marketing, que têm a linguagem como ferramenta de trabalho, da importância de sua responsabilidade social.

A educação como conexão

A educação é um tema que está diretamente relacionado à Coreia do Sul. O país que foi reconstruído no pós-guerra tendo a educação como sua base é hoje um exemplo para o mundo. E essa referência tem tido papel relevante na aproximação das culturas brasileira e sul-coreana. Quem visitou a última Feira Study in Korea no Brasil 2025 pode ver de perto o interesse dos jovens em viver a vida acadêmica no país asiático. Um movimento que abre oportunidades acadêmicas e de negócios para ambos os países, como conta o diretor do Centro de Educação Coreana, Park Sung Geun.

Japas muito além de estereótipos

Muito mais do que malte de cevada, lúpulo, levedura e água, as latinhas da Japas Cervejaria contêm um ingrediente único: ancestralidade. Seja pela história de suas famílias, do Japão e do Brasil ou de personagens que traduzem seus valores como mulheres nipo-brasileiras, cada cerveja produzida pelas sócias Fernanda Ueno, Maíra Kimura e Yumi Shimada revela um pouco do que são – descendentes de uma mistura de povos e de culturas, conscientes da importância de suas origens, como conta Fernanda a seguir.

O cotidiano como base para inovação

Menor do que o estado do Rio de Janeiro e com uma população aproximada da cidade de São Paulo e região metropolitana, Taiwan é reconhecida como polo global de desenvolvimento de semicondutores. E é de lá que a MediaTek vem conquistando o mundo como líder na fabricação de chips para smartphones e smart TVs. Trabalho que, como diz Samir Vani, diretor da empresa para a América Latina, requer um sofisticado conhecimento tecnológico, mas principalmente um olhar contínuo para o cotidiano, uma vez que é das necessidades das pessoas que essa tecnologia se traduz, de fato, em inovação. Confira a sua entrevista a seguir.