O baiano já está mais do que acostumado ao nome de Pedro Archanjo, personagem de Jorge Amado em “Tenda dos Milagres”. Agora, pode começar a se familiarizar com outro Arcanjo nas ruas de Salvador: o robô humanoide T800, desenvolvido para apoiar ações de segurança pública e contribuir para a proteção da população.
Ao caminhar pela orla da capital baiana, interagir com o público e até arriscar alguns passos de dança, o equipamento rapidamente chamou a atenção. A apresentação descontraída, no entanto, mostrou apenas a face mais visível de uma parceria tecnológica com um propósito bem mais amplo: criar soluções capazes de antecipar riscos, apoiar as forças de segurança e produzir efeitos positivos na vida das pessoas.
Arcanjo, na verdade, dá nome a um projeto que vai além do humanoide. Desenvolvido pela IPQ Tecnologia, empresa baiana com atuação no Brasil e no exterior, o programa reúne totens e estações de monitoramento equipados com inteligência artificial, sistemas de integração de dados e outras ferramentas destinadas a conectar empresas de vigilância e monitoramento às forças de segurança.
Segundo Heitor Galvão, COO da IPQ Tecnologia, o robô combina hardware produzido na China com inteligência desenvolvida no Brasil e adaptada à legislação e às necessidades do país. Ainda em fase de testes, está sendo preparado para seguir à frente das equipes em áreas de risco, identificar pessoas armadas, objetos abandonados e placas de veículos, além de transmitir informações aos centros de monitoramento.
“Hardware chinês com a inteligência brasileira para atender a necessidade de segurança pública do Brasil”
Heitor Galvão
A cooperação com empresas chinesas inclui transferência de conhecimento e a possibilidade de incorporar novas tecnologias ao equipamento. Com as adaptações necessárias, o humanoide também poderá ser utilizado em incêndios, vazamentos de gás e outras situações que ofereçam riscos aos agentes e à população.
Mais do que ter a presença de um robô nas ruas, o Programa Arcanjo se propõe a construir um ecossistema colaborativo de segurança pública, aproximando conhecimento brasileiro, capacidade tecnológica chinesa, investimento privado e atuação do poder público. A iniciativa mostra como parcerias internacionais ganham relevância quando a inovação deixa de ser apenas uma novidade e passa a impactar, de fato, a vida das pessoas. Nesse caso, buscando principalmente preservá-las.
