Um dos significados do nome da artista e empreendedora afegã Frozan Sediqi é “pessoa que não mente”. Talvez também por isso, ela não tenha tido dúvidas ao se identificar quando, durante uma apresentação musical, o cantor lhe perguntou de onde era. Mas foi sobretudo o orgulho de ter nascido no Afeganistão que a fez participar da brincadeira sem hesitar. Para sua surpresa, o que parecia um momento de descontração tornou-se um constrangimento. Ao saber sua nacionalidade, o cantor dirigiu-se ao público, pedindo cuidado, ainda que em tom de piada, porque ali estava alguém que ele chamou de “mulher-bomba”.
Sua resposta foi imediata: sugeriu que ele se afastasse, já que ela poderia explodi-lo. A força dessa resposta, no entanto, ganha outra dimensão em sua arte. Por meio dela, Frozan transforma as experiências que vive em criações que apresentam sua cultura, questionam preconceitos e inspiram outras pessoas a conhecer o Afeganistão com um olhar mais amplo, como ela mesma conta na entrevista ao Conexão Ásia.

Ao longo da conversa, Frozan conta como deixou sua atuação em relações internacionais para se dedicar à arte. Fala sobre sua participação na luta das mulheres afegãs por direitos, os espaços de ensino de arte que criou para mulheres impedidas de estudar e a venda de trabalhos delas para ajudá-las a melhorar de vida. Ela relata ainda como a mudança para o Brasil lhe permitiu preservar sua história de amor com o marido, Nematullah Valy, que nunca hesitou em se manter ao lado dela.
